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Sem glúten

A doença celíaca é mais comum do que pode parecer. Entenda o que fazer quando sérias restrições alimentares são impostas à sua rotina
03/11/2009





Por Thaís Harari

Emagrecimento, desnutrição, déficit de crescimento, anemia, diarreia, esterilidade. Esses são alguns dos principais sintomas apresentados por pessoas que sofrem com a doença celíaca, ou seja, a intolerância crônica ao glúten. Segundo a vice-presidente da Associação dos Celíacos do Brasil em Santa Catarina (Acelbra – SC), Odette Maluf Teixeira, o grande problema é que, na maioria dos casos, leva-se muito tempo para diagnosticar a doença. “Gasta-se muito dinheiro tratando outras patologias até saber de fato o que a pessoa tem”, explica. Quando descobriu que era celíaca, há 11 anos, Odette pôde abandonar uma vida na qual sofria constantemente com inchaço abdominal, nos pés e nas mãos, cansaço e anemia profunda. Na verdade, não existe remédio que cure o problema. O único tratamento é deixar de consumir qualquer produto que contenha glúten em sua composição, ou seja, alimentos feitos com trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

Por se tratar de uma proteína incompleta, que não possui todos os aminoácidos essenciais ao organismo, o glúten pode ser facilmente substituído pelo consumo de outras fontes proteicas, como o leite de soja, carnes (frango, boi e peixe), ovo, ricota e queijos. É extremamente importante para os celíacos consultar o rótulo dos produtos que consomem, pois há alimentos que, mesmo não parecendo, são feitos com glúten. Certas marcas de café, por exemplo, possuem cevada em sua constituição; remédios em pílulas ou cápsulas podem conter trigo; a produtos industrializados como salsicha, salames, apresuntados e enlatados muitas vezes é adicionada farinha de trigo.

Expressão e diagnóstico

Existem diversos níveis da doença. “Muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam sintomas pouco expressivos”, explica Antonio José de Vasconcellos Carneiro, gastroenterologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em muitos casos, o celíaco não pode sequer consumir um alimento que simplesmente encostou a outro feito com glúten. Odette conta que, em casa, ela tem sua própria barra de manteiga. “Ninguém pode, por exemplo, passar uma faca com um farelo de pão com glúten na minha manteiga, se não eu passo mal.”

A única maneira de diagnosticar a doença celíaca é por uma biópsia do intestino. O corpo produz anticorpos para atacar o glúten, que é entendido como uma substância tóxica pelo organismo. No entanto, tais anticorpos acabam por atacar não somente o glúten, como também as vilosidades do intestino delgado, que fica debilitado e impossibilitado de absorver nutrientes. “A doença por sensibilidade ao glúten pode ser definida como um estado de resposta imunológica, tanto celular como humoral, ao glúten, ou seja, a doença celíaca é uma doença autoimune”, explica Mariana Escobar, nutricionista e mestre em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Alternativa gastronômica

O glúten é a proteína responsável por dar liga aos alimentos. É ele que dá consistência aos produtos de panificação, por exemplo. A grande dificuldade dos celíacos é encontrar substitutos que tenham a mesma função do glúten na cozinha. Marina explica que a alternativa é usar farinha de milho, de arroz e mandioca, polvilho, amido de milho ou fécula de batata.




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